Belo Horizonte, 05 de janeiro de 2009
Era uma noite de segunda-feira. Já estava tarde mas ela não costumava se deitar cedo. Não sabia se estava frio ou quente. Usava uma blusa de frio que não deixava sentir frio nem calor. Como tinha que escrever uma carta, acabou escrevendo um texto. Mais um que iria para sua gaveta com a esperança de daqui uns anos ser lançado em um grande livro. Mas ela não queria escrever sobre isso, estava apenas enriquecendo, como pede um bom texto, de detalhes. Era exatamente isso que se tratava seus pensamentos naqueles dias nublados (tanto por fora, quanto por dentro).
Num bom texto se utiliza a perfeita caracterização do ambiente, personagens e tudo. Eu imaginava que era uma grande bobagem mas como viajar com um livro que não te dá uma base. Por isso os detalhes são de grande importância, além de, na minha opinião, ser como uma taça de vinho. O charme, o complemento.
Creio que na vida se tenha o mesmo uso. Os detalhes complementam, fazem flutuar, dão charme ao dia-a-dia das pessoas. Detalhes como a aliança que ele estava usando aquele dia. Um simples objeto que, sem poder falar, me contou todos os segredos que talvez nem você saiba, ainda.
Os detalhes são muito importantes. Destalhes como esse que podem acabar com meses, não. Meses já passaram. Esses detalhes podem acabar com o resto dos meses que nos resta. Mas de que adianta se quando chega a hora ela não vai embora? É melhor que chegue agora e não percamos mais a hora. Nem a boa e velha rima tão saudáveis a um bom e doce amor.
Não temos o que temer, apensar de já começar a tremer. O que tiver que ser será, é a felicidade que importa. A carta já estava grande quando o nó chegou a garganta dela, sufocando de leve e a mão já dava sinal de dor, pois trabalhava com rapidez. Ela notou que o tempo voou e tratou de se apressar e deixar as coisas se acalmarem rezando por força e luz, como sempre.
Botando a carta na gaveta, cheia e bagunçada, ela foi dormir olhando pela janela, esperando chover.


